sexta-feira, 18 de março de 2011

Na ponta dos pés


Na ponta dos pés, parecem me deixar mais alta, no topo do mundo, parecem me fazer enxergar detalhes que não enxergo quando estou no chão. Na ponta dos pés flutuo e viajo sob a cabeça de todos, e como por um instante pareço ler pensamentos, mesmo que seja imaginação. Na ponta de meus velhos pés me inclino e giro, como a terra gira em torno do sol, eu giro por si só, a busca talvez de meu bailarino par. Ou talvez a busca de alguém que veja todo o mundo na ponta dos pés como consigo ver. Ah, na ponta de meus velhos e machucados pés, andei e tropecei, caí e levantei, sempre me levando ao rodopio, me levando a ficar na ponta de meus velhos pés como um forte de mim, como um forte de meus pensamentos e inseguranças, inseguranças as quais desconheço mais sei que existem.
Sei que existem para sobrecarregar e elevar-me a ponta dos pés, balé perfeito com o laço que envolve minha cintura, sintonia harmônica com meu cabelo, com cada fio de cabelo que se movimenta, sim, me sinto por completa. As leves e delicadas mãos que conversam com meus pés, que velhos e cansados ficam em suas pontas, para ver o topo do mundo, os Alpes, as montanhas, as colinas, para ver o mais alto de mim mesma, e o maior enrosco de fita cor-de-roda em minha cintura, que leva as sapatilhas e mais uma vez, a ponta de meus pés.


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