
Na ponta dos pés, parecem me deixar mais alta, no topo do mundo, parecem me fazer enxergar detalhes que não enxergo quando estou no chão. Na ponta dos pés flutuo e viajo sob a cabeça de todos, e como por um instante pareço ler pensamentos, mesmo que seja imaginação. Na ponta de meus velhos pés me inclino e giro, como a terra gira em torno do sol, eu giro por si só, a busca talvez de meu bailarino par. Ou talvez a busca de alguém que veja todo o mundo na ponta dos pés como consigo ver. Ah, na ponta de meus velhos e machucados pés, andei e tropecei, caí e levantei, sempre me levando ao rodopio, me levando a ficar na ponta de meus velhos pés como um forte de mim, como um forte de meus pensamentos e inseguranças, inseguranças as quais desconheço mais sei que existem.
Sei que existem para sobrecarregar e elevar-me a ponta dos pés, balé perfeito com o laço que envolve minha cintura, sintonia harmônica com meu cabelo, com cada fio de cabelo que se movimenta, sim, me sinto por completa. As leves e delicadas mãos que conversam com meus pés, que velhos e cansados ficam em suas pontas, para ver o topo do mundo, os Alpes, as montanhas, as colinas, para ver o mais alto de mim mesma, e o maior enrosco de fita cor-de-roda em minha cintura, que leva as sapatilhas e mais uma vez, a ponta de meus pés.



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